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Protagonismo

Lutemos contra nossos moinhos

Lutemos contra nossos moinhos

“Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó” Cartola

Essa música que o Cartola fez para sua filha, falando do mundo como algo que destruísse nossos sonhos, me deixou em um primeiro momento extremamente triste e emocionado, pensando se o mundo faria isso com nossos sonhos.

A reflexão que me conforta é observarmos que muitos destes sonhos que acreditamos serem nossos são realmente mesquinhos, e não necessariamente o que sonhamos. E assim, tornar a ilusão pó não é de todo mau, claro que muitas vezes pode ser uma experiência difícil de lidar, mas isso é o trabalho do desapego que devemos ter em alguns momentos.

E como no prefácio do livro “Liberdade sem medo” de Alexander Neill, educador escocês que desenvolveu a Summerhill em 1921, uma escola extremamente inovadora até para os padrões atuais.

“Dou ênfase à palavra “realismo” porque o que mais me impressiona na atitude do autor é a sua capacidade de ver, de discernir entre os fatos e a ficção, para não se deixar levar pelas racionalizações e ilusões segundo as quais a maioria das pessoas vive, e coril as quais essas mesmas pessoas bloqueiam a passagem da experiência autêntica.”

Diferenciarmos o que é ilusão e o que é realismo – Fantástico discernimento! Quando uma pessoa está no começo de sua jornada em prol de seus sonhos e está com uma vontade imensa de realizá-los, algumas pessoas param e olham para ela e falam: Você é utópico se acha que vai conseguir, tem que ser mais realista.

Mas não, essas pessoas não são realistas, elas se perderam na ilusão dos homens, se perderam na luta contra os moinhos da vida. E hoje bloqueiam a própria passagem e a de outros, nesta experiência chamada vida que deveria ser a mais autêntica possível.

E nesta luta contra os nossos moinhos, perceba que eles são a vida em si e questões externas que desconstroem nossos pensamentos e sonhos mesquinhos, mas também podem ser moinhos internos relacionadas à nós mesmos.

Sejamos então como Dom Quixote e lutemos contra estes moinhos gigantes na realização dos nossos sonhos, não os mesquinhos, pois estes possivelmente não passarão pelo crivo dos vários moinhos em nossas vidas. Mas aqueles verdadeiros, reais da nossa essência.

dipp

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  • Felipe Gruetzmacher

    amei o texto 😉

  • Rodolfo

    Essa versão de que a música seria para uma filha de Cartola é, infelizmente, falsa. A começar pelo fato de que Cartola não tinha filha – tinha, em verdade, uma enteada. A própria irmã do compositor, no entanto, já alegou que a música não tem nada a ver com a enteada ou mesmo com qualquer problema relacionado a drogas (alguns afirmam isso, acredito eu, por conta do trecho em que o autor afirma “vai reduzir as ilusões à pó”).

    Cartola teria escrito esta canção inspirada em um amigo, que sofria por ver a mulher amada partir.